O núcleo de Vila Real de Santo António do Bloco de Esquerda recebeu um convite dos Presidentes da Câmara e Assembleia Municipais para intervir na sessão solene comemorativa dos 33 anos do 25 de Abril que se realizou no Centro Cultural António Aleixo. No entanto, em nenhum momento da Sessão o Presidente da Assembleia Municipal solicitou a intervenção do BE.
No final da cerimónia, os representantes do BE procuraram conhecer as razões deste insólito comportamento. O Presidente da Assembleia Municipal insistiu em que não houve qualquer convite para o BE fazer uma intervenção (o que é falso, como se verifica na carta que recebemos), explicação que foi posteriormente corroborada pelo Presidente da Câmara. Confrontado com a carta por si assinada, o edil voltou atrás e afirmou ter-se tratado de "um lapso".
Perante esta insultuosa situação, o Bloco de Esquerda observa que:
- Os Presidentes da Câmara e Assembleia Municipais desconheciam o conteúdo de um documento por si assinado; é um facto que não pode deixar de nos preocupar, tratando-se dos responsáveis máximos dos principais orgãos autárquicos;
- O Presidente da Câmara, que apregoava o "rigor" como uma marca do seu trabalho, achou normal haver lapsos nos documentos preparados pelo seu gabinete de apoio, não se dignando sequer - com a arrogância que tem caracterizado o seu estilo de gestão pública - pedir desculpas pelo erro; a falta de rigor é que tem sido uma marca da gestão PSD na autarquia, com obras que se arrastam durante anos, concursos anulados, escassas iniciativas e projectos para a cidade em ano e meio de mandato.
O Bloco de Esquerda não pode também deixar de assinalar o seu protesto pela presença de um representante de uma organização religiosa junto à mesa que presidia à sessão solene. Em Portugal, a consolidação de um Estado laico e de um poder político independente da influência dos poderes religiosos é também uma importante conquista de Abril. A presença de representantes de uma organização religiosa nestes eventos públicos compromete essa independência e coloca essa organização em situação de privilégio em relação às restantes confissões religiosas.
A Sessão Solene para a qual fomos convidados foi uma cerimónia triste, rápida e com pouco público, que contrasta com as práticas habituais no concelho de Vila Real de Santo António. Apelamos à mobilização da população, não só para as futuras celebrações de Abril, mas para o exercício de uma cidadania activa e participativa sobre a gestão do concelho.