Francisco Louçã defendeu em Monte Gordo uma agricultura livre de organismos geneticamente modificados, de acordo com a opinião da maioria da população e dos cientistas, em alternativa a uma agricultura ao serviço das grandes multinacionais do sector, que controlam a produção mundial de produtos transgénicos.
O coordenador nacional do BE aproveitou para explicar ao governo que o Bloco de Esquerda dá a cara pelas suas acções, a propósito das declarações proferidas pelo ministro da agricultura, que pretendeu responsabilizar o BE pela destruição de uma plantação de milho transgénico em Silves. Francisco Louçã concluiu que o ministro "mentiu para fazer baixo jogo político: defende as multinacionais e culpa o Bloco", e salientou que "se o governo tem que atacar o BE é porque sabe que tem aqui uma oposição que dá a cara".
O deputado do Bloco de Esquerda analisou a realidade social portuguesa salientando crescentes desigualdades: meio milhão de desempregados e dois milhões de pobres, quando apenas cem pessoas detêm um quarto do rendimento nacional, com fortunas fáceis conseguidas pela especulação financeira, e denunciou a injustiça social do modelo de Flexisegurança que o governo pretende adoptar, inspirando-se no modelo dinamarquês, para facilitar o despedimento mas sem garantir os benefícios da Dinamarca (9 anos de subsídio de desemprego garantido, por exemplo).
O coordenador nacional do BE salientou também a privatização de serviços públicos promovida pelo governo socialista, que vai beneficiando alguns grupos económicos e chega agora às estradas. "Sempre que passarem por uma portagem lembrem-se da família Mello, que recebe metade", pediu Louçã, concluindo que "os serviços públicos têm que fazer parte da democracia" e que é necessária uma "política de coragem, pelo emprego, para evitar que os melhores jovens emigrem ou que sejamos um cantinho da Espanha".
Antes de Louçã, o deputado João Semedo apresentou a campanha de defesa do Serviço Nacional de Saúde que o Bloco de Esquerda vai promover a partir de Setembro e explicou as suas razões, pelas inúmeras deficiências e injustiças do sistema, em particular na região do Algarve., que prejudicam cada uma das famílias portuguesas.
Na abertura do comício, que reuniu mais de 400 pessoas, João Romão (da Comissão Coordenadora Distrital do BE) lembrou que em 20 anos de adesão à União Europeia, e com muitos milhões de euros em fundos comunitários, o Algarve assistiu ao desaparecimento da sua indústria e à perda de importância económica e social das pescas e da agricultura, limitando-se agora à oferta de serviços turísticos... e à produção agríclola de organismos geneticamente modificados.